MAFEA - ESCOLA DE ARTE & CIA
Matéria original 'gentilmente' cedida por:
![]()
GÓTICOS (Música)
<voltar
Constam abaixo, algumas informações
culturais
sobre alguns estilos existentes hoje em dia, ou seja,
O SOM DE ALGUMAS TRIBOS
ROCKABILLY
O
rockabilly teve origem na primeira metade dos anos 50, no Sul dos Estados
Unidos. Mistura de Rythm & Blues, Country e Western. Este estilo teve como
precursores nomes como Carl Perkins e Bill Haley and the Comets. EM 1955, Bill
Haley gravou o single (We're gonna) Rock Around the Clock, que vendeu mais de 22
milhões de cópias nos EUA e introduziu a garotada da época ao ritmo alucinante
do Rock and Roll original. Nascia então o Rock and Roll. Rockabilly é o apelido
carinhoso que se dá hoje aos ídolos do velho e bom Rock and Roll. Seria como
"Rock Raiz". Outros nomes da época também devem ser lembrados
como Ricky Nelson, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Roy Orbison, The Everly
Brothers, Chuck Berry, Eddie Cochran, Buddy Holly and Gene Vincent.
Existem algumas bandas Rockabilly que misturam elementos de outros estilos como
o Punk - dando origem ao Psychobilly, bem representado pelo The Cramps.
O estilo aqui no Brasil ainda não é muito conhecido, sempre é erroneamente confundido com rock dos anos 60. Existem poucas bandas nacionais deste estilo, mas desde anos 80 existe um público fiel e que sempre cresce. Bandas nacionais como Crazy Legs e Alex Valenzi & The Hideaway Cats e tantas outras bandas internacionais tais como: High Noon (USA), Haywoods (USA), Three Bad Jacks (USA), Matchbox (UK), Stray Cats (USA, talvez os mais conhecidos por aqui fora do movimento), sem contar ainda os artistas dos anos 50! Essas bandas com certeza mantêm o verdadeiro rock'n'roll sempre vivo!
PUNKS
Novos
ares tomaram conta do país no início da década de 80. Só se falava na abertura
política a liberdade parecia ter chegado para ficar. Ainda se comemorava o fim
do ato inconstitucional número cinco (AI-5) e a sanção da anistia. A censura
permanecia, mas não era tão pesada. Pelo menos era o que os “roqueiros” que
fundavam suas bandas no underground, sonhando em expor ao público suas idéias
contestadoras. Aos poucos, o rock deixava de engatinhar e se apoiava nas
próprias pernas. Era preciso dar um fim a discriminação sofrida pelos
“roqueiros” dos anos 70 e criar uma alternativa para os monstros sagrados da MPB
(Caetano Veloso, Chico Buarque, etc.) assim como para as cantoras (Simone, Maria
Betânia, etc.) que dominavam a programações das rádios. Antes da explosão,
porém, havia mais alguns caminhos a serem percorridos. Com apenas dois anos de
atraso, o movimento punk havia chegado em São Paulo, mas no início, resumia-se a
pequenas gangues de adolescentes que imitavam a roupa e as atitudes dos punks
ingleses, mas não a música. Na Inglaterra, os jovens haviam começado a exibir
seu descontentamento com os dinossauros do rock progressivo em 1975. Eles
queriam uma música que retesse seu dia-a-dia e que pudesse ser tocada por
qualquer um - e não por instrumentais virtuosos. Resultado o punk rock, um rock
de três acordes, rápido, cru e agressivo. Grupos como Sex Pistols e The Clash
serviriam de inspiração para as primeiras bandas punks brasileiras que pipocavam
em São Paulo e Brasília nos idos de 1978. Tudo ainda acontecia, porém, no
underground, onde os grupos como AI-5, Lixomania ou Restos de Nada se
apresentavam para os iniciados. Em 1982, o público, finalmente, tomaria
conhecimento da nova tendência. Primeiro com o lançamento do primeiro disco de
punk do brasileiro: Grito Suburbano, que reuniria: Os Inocentes, Cólera e Olho
Seco. Depois, com a realização do festival O Começo Do Fim Do Mundo, o primeiro
grande evento de punk realizado no Brasil. O acontecimento, que terminou em
confronto com a polícia, teve ampla cobertura da imprensa. Em manifesto aberto
ao público, os punks declararam: "Nosso movimento surgiu numa época de crise e
desemprego com tal força que logo se espalhou pelo mundo, e cada um, à sua
realidade, adotou esse tipo de protesto, punk ...", dizia o folheto. Clemente
Tadeu, o vocalista de Os Inocentes, era mais direto: "Nós estamos aqui para
revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar
o trem das onze, pisar sobre as flores do Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma
mulher qualquer". Não seria fácil, porém. O caso de Os Inocentes é exemplar.
Apesar de terem fundado o grupo em 1981, Clemente Tadeu ( guitarra e vocal ),
Ronaldo Passos ( guitarra ), André Parlato ( baixo ) e Tonhão Parlato ( bateria
) só conseguiram gravar seu primeiro disco em 1986. Pânico em São Paulo, lançado
pela WEA, mantinha a energia do grupo, que contava com a produção de Branco
Mello, dos Titãs, e Pena Schimidt. Daí para frente o grupo teria uma Carreira
estável, com mais cinco discos lançados por gravadoras grandes. O mesmo não se
pode dizer de outros grupos paulistas da mesma geração. O Cólera, um dos mais
representativos do movimento, gravaria em 1985 ( Tente Mudar o Mundo ), mas
ainda de maneira independente. Já o Olho Seco lançaria discos apenas
esporadicamente - seu último trabalho é Haverá Futuro? A influência dos grupos
paulistas, porém, ficaria para sempre em grupos como Ira! (que fez seu primeiro
show em um festival de punk, na PUC de São Paulo, em 1981), RPM (seu guitarrista
Fernando Deluqui, passou pela banda de punk Ignoze ), Legião Urbana ( herdeira
dos punks de Brasília ou Titãs, o grupo que incorporou a influência punk em suas
música. A origem era outra, mas os ideais eram os mesmo. Também no início dos
anos 80, um bando de rapazes de classe média começou a se reunir em bandas.
Tinham formação universitária e estavam mais ligados a MPB do que ao rock. O que
os unia não era o conteúdo, mas a forma: todos gravaram de maneira independente,
longe das grandes gravadoras. Realizavam, assim, um dos ideais punks mais
importantes: "faça você mesmo". O selo, no caso, era o Lira Paulista, mesmo nome
do lugar onde a maioria das bandas se apresentavam - entre eles, Arrigo Barnabé,
Sabor de Veneno, Língua e Banda Performática ( de onde saíram dois integrantes
dos Titãs, Arnaldo Antunes e Paulo Miklos ). Com a sucessão de acontecimentos
desagradáveis com os punks, como os confrontos com a polícia e com a volta da
tetra entre as gangues, o punk perdeu a sua força. Poucas bandas conseguiram
sobreviver a todos esses acontecimentos. Mas um dia os punks sonham que aconteça
uma verdadeira revolução desmassificada , a anarquia está ai, utopia para uns,
ideologia para outros...
CARECAS /
SKINHEADS
Os
primeiros skinheads surgiram na Inglaterra na década de 60, como ato de rebeldia
dos jovens da classe operária inglesa diante da crise econômica vivenciada pelo
país, introdução de novas tecnologias, onda de desemprego e inserção de minorias
étnicas que, por uma questão de sobrevivência, aceitavam trabalhar por salários
não compatíveis com os tetos sindicais fixados pelos operários tipicamente
britânicos.
As informações sobre os skinheads britânicos chegaram ao Brasil em um período
denominado distensão marcado pela bancarrota das medidas políticas e econômicas
implementadas pelo Regime Militar. Este processo levou o país à um longo período
de recessão que produziu a fuga dos investimentos internacionais, seguido da
falência de indústrias pesadas situadas nas regiões mais industrializadas do
Brasil por volta dos anos de 1981 à 1983, bem como nos pólos industriais das
regiões da Zona Leste e ABC paulista. Nacionalistas, já usavam o visual que é
repetido até hoje: suspensórios, coturnos (botas militares) e cabelo raspado (ou
máquina zero). No Brasil, o grupo surgiu na periferia dos grandes centros, no
meio da década de 80, como uma dissidência dos punks. Hoje estima-se que haja
mais de três mil carecas, principalmente nos Estados de São Paulo, Rio, Bahia,
Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Além dos Carecas do ABC e Subúrbio, os skinheads brasileiros também estão
agrupados em outras gangues com menos integrantes: Sharp-Skinheads Against
Racial Prejudice - Skinheads contra o Preconceito Racial - e White Powers
formado por descendentes de europeus: são racistas, defendem o separatismo da
região sul, odeiam negros e homossexuais e pregam o nazismo.
Geralmente para pertencer à gangue dos carecas, o candidato passa por uma prova
de fogo para ser admitido. Ele tem de ser corajoso, ser apresentado por um outro
careca, não ter envolvimento com drogas e ser nacionalista. Mas o passo mais
difícil ocorre no festival Dezembro Oi! Quando os skinheads de todo o Brasil se
reúnem. O novato leva socos e chutes dos veteranos. É como um trote de
faculdade, só que mais violento (muito mais).
Oi! UM GRITO DE UNIÃO VOLUME 3, reuniu bandas brasileiras e espanholas. As
brasileiras são: GAROTOS PODRES (de São Paulo ), THE SKULLS (do Espírito Santo )
e CONTRA-ATAQUE ( do Rio Grande do Sul ); as espanholas são KELTOI! (da Galiza)
e OI! THE ARRASE (de Palma de Mallorca ). A seleção traz três faixas de cada
banda, exceto Garotos Podres, com uma só faixa inédita, não incluida no CD "Com
a corda toda". The Skulls é a primeira banda Oi! local a cantar em inglês; suas
canções são do CD "Thunderbolt Warrior", lançado na Alemanha pelo selo Dim. Os
CDs da Keltoi! e da Oi! The Arrase foram lançados pelo selo espanhol Bronco
Bullfrog.
Um dos maiores nomes do Oi!, os 4 skins iniciaram suas atividades em 1979,
Influenciados diretamente pela trilogia Sham/Upstarts/Rejects e contando com um
ex-roadie do Menace na formação. Mesmo com as inúmeras mudanças de formação (o
único membro constante foi o baixista Hoxton Tom McCourt), a banda se tornou uma
lenda, e som sua sonoridade dura e áspera (bem diferente das bandas Oi! mais
melódicas, como o Cocksparrer), influenciou tudo o que rolou mais tarde.
A única ideologia que esta emblemática banda tinha realmente é definida pela
seguinte frase, do Hoxton Tom: "Nós não pregamos a violência, apenas cantamos
sobre o que acontece".
DARKS /
GÓTICOS
A
diferença entre Darks e góticos está somente no tempo, no Brasil era ainda
confuso em termos de cultura pop e uma profusão de rótulos inusitados tentava
explicar tanta (pós-)modernidade. Em clubes como Madame Satã-SP, Crepúsculo de
Cubatão-RJ, e Ocidente-RS eram encontrados os DARKS, eu na época não conhecia os
Darks por outro nome, (Gótico por exemplo). No Madame Satã, SP A CURA SONORA Foi
em 20 de março de 1987, época em que se iniciou a turnê brasileira do grupo The
Cure, que a tribo dark começou a viver seu mais profundo êxtase. A vinda de
Robert Smith & cia, coincidia com o lançamento da coletânea Staring at the Sea.
Logo depois, chegou outro grupo idolatrado e cheio de rótulos, o Echo & The
Bunnymen.
Darks que eu conhecia falavam sobre Edgar Allan Poe e os "malditos" franceses
Rimbaud e Baudelaire freqüentavam a biblioteca da tribo que, para se informar
sobre música, não dispensava os semanários gringos NME e Melody Maker e a
revista brasileira Bizz. Indispensável é Carícias Distantes, biografia de Ian
Curtis, do Joy Division, escrita por sua mulher, Deborah Curtis.
GUARDA-ROUPA DA VOVÓ: Vestir-se de preto era o código e contraponto perfeito
para peles alvas, o basic black era a lei para a tribo Dark. Os estilistas Yohji
Yamamoto e Calvin Klein (lá fora), e as grifes brasileiras Zoomp e Mr. Wonderful,
mais o guarda-roupa da vovó, forneciam os uniformes prediletos.
Oposta aos costumes dos metaleiros
sem criatividade, a "tribo dark" seguia uma estética gótica, valorizava
aspectos teatrais e artísticos, venerava a crítica musical inglesa, abusava de indumentárias
escuras e era um tanto depressiva, a estética gótica era desconhecida por muitos
na época, onde muitos adeptos somente conheciam as bandas e vestiam preto
(conheci muitos que pensavam assim) mas a chamada Gothic Music pós punk começou
assim:
No final dos anos 70 e início dos anos 80, a raiva e a agressividde que
incendiavam o movimento punk começam a ceder lugar a uma profunda depressão e um
sentimento de insatisfação de um lado e falta de perspectiva do outro. Na
Inglaterra Margareth Tatcher assume o poder, triplica-se o desemprego e aumenta
a inflação. Este é o cenário triste da chamada década perdida. Nas paradas
musicais domina a pose e o "glamour" do pop inglês e da dance music com seus
artistas poseurs e cintilantes.
Entretanto algo estava para acontecer em uma cidadezinha chamada Manchester,
onde havia muita gente morando em subúrbios cinzentos recusando-se a enterrar o
legado punk, e achando que aquele "pop poseur" tinha muito pouco a ver com a
vida real na Inglaterra.
E é
na mesma Manchester que surge o porta voz ideal destes angustiados de quarto, na
figura de Ian Curtis, um dos primeiros a transformar toda essa melancolia e
desilusão em música, através da sua banda Joy Division, que apesar da curta
duração devido ao suicídio de Ian, seu vocalista, deixou como legado o rock mais
melancólico e desesperado já feito, sendo uma das bandas mais representativas do
movimento pós-punk, como ficou conhecido este substilo musical do rock, que
apresentava elementos musicais do punk mas com uma dose de melancolia mais
acentuada. E é dentro do pós-punk que encontramos as mais representativas bandas
do chamado estilo gótico, que no Brasil também foi chamado de "dark", devido a
preferência por roupas pretas de seus adeptos.
É nos
anos 80 que a morte será o tema mais recorrente nas canções pop, sendo
igualmente comuns temas como melancolia, desespero, abandono, decepções amorosas
e falta de perspectivas.Estes temas se fazem presentes nas músicas de um certo
grupo suburbano de Crowley, Sussex, Inglaterra, chamado The Cure, cujo vocalista
Robert Smith com seu jeito soluçante de cantar, cabelos desgrenhados e olhos
pintados de preto, fez a "alegria" dos cultuadores de deprê em canções como "One
hundred years", "The hanging garden" e "Siamese Twins", atingindo seu climax "noir"
no disco "Pornography" de 1982.
Entretanto
a cristalização do gótico enquanto gênero esteve a cargo de um quarteto de
Northampton (Inglaterra), que em seu primeiro single desfia loas a um tal Bela
Lugosi, famoso vampiro dos anos 30, e cujo vocalista Peter Murphy delirava
pesadelos com sua voz soturna sob um baixo pesadão e efeitos macabros de
guitarra, falando de temas como morte, vampiros, morcegos e rituais pagãos.O
nome do grupo, Bauhaus era uma referência a escola alemã de arquitetura que na
década de 1930 teve suas portas fechadas pelos nazistas devido a ligações com o
expressionismo alemão, considerado por Hitler uma "arte degenerada".
A
voz igualmente soturna de Andrew Eldritch foi o selo definitivo do movimento
gótico, sendo seu grupo, "The Sister of Mercy" considerado, com toda razão,um
dos maiores representantes do gênero, além de possuirem até hoje uma influência
marcante em tudo que diga respeito ao estilo. Dois ex-membros do SOM formaram
ainda um outro grupo seminal do gótico em 1985, "The Mission".
Não podemos nos esquecer das musas, importantíssimas, pra ser mais exato duas
musas, madrinhas,
divas e rainhas máximas do gótico: Siouxsie Sioux e Anja Howe.
Comecemos
por Siouxsie, a "bruxa madrinha de uma geração de cabelos arrepiantes", com seu
estilo misto de diva dos anos 20 e de prostituta nos seus belos olhos
extremamente maquiados. Siouxsie e seus banshees eram majestades únicas do
reinado gótico. Guitarras distorcidas, batida tribal, harmonias fluidas e climas
mórbidos se traduziam em pérolas como "A Kiss in the Dreamhouse", "Kaleidoscope"
e "Nocturne". Siouxsie também foi uma das primeiras cantoras a liderar uma banda
"mais pesada" .Nascidos no movimento punk,"Siouxsie & The Banshees" souberam
fazer a perfeita transição para o gótico, sendo um dos precursores do estilo.
Quanto
a sua majestade loira, Anja Howe, a vocalista da banda underground alemã "X-Mal
Deutschland",pode ser considerada pioneira do estilo gótico na terra de Goethe,
com sua voz inconfundível cheia de "alalaôs" e anomatopéias, acompanhada de
guitarras e baixo linha serra elétrica. Eram também comuns na banda o uso de
recursos eletrônicos, criando sons viajantes que mesclados ao vocal sedutor
criavam texturas delirantes num perfeito clímax lírico-depressivo, levando os
"mortos vivos" à loucura através de obras primas como "Incubus Succubus","Tocsin"
e a maravilhosa "Matador".
Seria ainda uma grande injustiça deixarmos de citar outras bandas igualmente
importantes do estilo gothic e do darkwave como Clan of Xymox, Mission,
Opera Multi Steel, Poesie Noire, Cult, Switchblade Symphony, Love is Colder than
Death... bem são tantas que fica até difícil citar todas, em mais uma prova do
quanto o estilo é prolífico.
No finalzinho da segunda metade da década de 1980 porém, o clima começa a
tornar-se inóspito para morcegões e afiliados, e o estilo gótico começa a entrar
em decadência, significando o fim de muitos grupos que consagraram o gênero,
deixando orfãos e famintos de sangue muitos "nosferatus", e fazendo as noites
enevoadas de Londres (e porque não as noites garoentas de São Paulo:-) perder
muito de seu charme.
Degeneração da degradação:
No finalzinho dos anos 90 e começo de 2000, infelizmente começa a degradação
total do estilo, com o surgimento da nova geração de adolescentes "acerebrados"
com seu estilo heavy metal, (geralmente burgueses e filhinhos-de-papai que se
acham ou querem ser "do mal") surgem as bandas heavy metal, sem conteúdo, e
quase nulas em criatividade e ideal, vêem no rock gótico matéria-prima para uma
tentativa de pseudo-reciclagem e renovação do estilo. Os adeptos do new-metal
como o Cradle of Filth (que se auto-denomina black gothic romantic metal, na
verdade é um lixo total), ou do sub gênero Doom, tornam a fazer uma parte dos
góticos (os mais desprovidos de cultura e menos radicais) "sorrirem de
felicidade", e outra parte (os mais conscientes e que sabiam o verdadeiro
sentido do movimento) "virar a cara de desprezo".
Será que este "pseudo-renascimento" do gótico (se é que ele chegou mesmo a
morrer), representará a sua volta e consagração, ou se eregirá o seu definitivo
epitáfio...ou talvez nenhuma das alternativas anteriores...:-)
Contudo uma coisa é certa. Bela Lugosi's still waiting...
HIP HOP
A
cultura hip hop é formada pelos seguintes elementos: O rap, o graffiti e o break.
Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, que é a expressão
musical-verbal da cultura; Graffiti - que representa a arte plástica, expressa
por desenhos coloridos feitos por graffiteiros, nas ruas das cidades espalhadas
pelo mundo; Break dance - que representa a dança.
Os três elementos juntos compõe a cultura hip hop. Que muitos dizem que é a "CNN
da periferia", ou seja, que o hip hop seria a única forma da periferia, dos
guetos expressarem suas dificuldades, suas necessidades de todas classes
excluídas. O termo hip hop, alguns dizem que foi criado em meados de 1968 por
Afrika Bambaataa. Ele teria se inspirado em dois movimentos cíclicos, ou seja,
um deles estava na forma pela qual se transmitia a cultura dos guetos
americanos, a outra estava justamente na forma de dançar popular na época, que
era saltar (hop) movimentando os quadris (hip)... Em meados dos anos 70 no Bronx,
cidade de Nova Iorque, só existiam dois bons deejays conhecidos que eram Kool
D.J. Herc e Kool Dee. Kool D.J. Herc foi o maior e mais seguido de todos os D.Js.
do Bronx.
De qualquer modo em meado dos anos 70 outro jovem D.J. que foi inspirado por
kool D.J. Herc, Kool D.J. Dee, Disco King Mario, começou aparecer e crescer no
cenário da música B.Beat chamado Afrika Bambaataa.
Ele tinha algo de grandioso da música B.Beat de Kool Herc, trouxe novos discos e
fazia as pessoas dançarem como um trovão, e decidiu de chamá-los de ZULU NATION.
Nos próximos anos Bambaataa seria o responsável por várias gírias no movimento.
Nesta mesma época apareceu outro D.J. com o nome de Grand Máster Flash, que
ajudou a reformular o jeito de rimar em cima dos Break Beats. Não foram
Sugarhill Gang, D.J. Hollywood ou Eddie Chebba e Kurts Blow que começaram a
rimar em cima dessas batidas, foram realmente Grand Máster Flash, Mele mel, Kid
Creole e Keith Cowbow que começaram o fenômeno das rimas. Se existe alguém
responsável pela criação da música Break Beat, foram Kool D.J. Herc, Afrika
Bambaataa e Grand Master Flash, os que vieram depois só ajudaram a construir o
que chamamos de HIP-HOP. Como já escrevi anteriormente rap quer dizer ritmo e
poesia. Ao contrário de que muitos pensam e dizem por aí, o rap foi criado na
Jamaica e não nos Estados Unidos... Por volta de 1960 na Jamaica existiam os "sound
systems" muitos populares na ilha, pois sem dinheiro a população dos guetos iam
para as ruas e ficavam escutando músicas nesses "sound systems" que eram na
época algo como hoje em dia é um trio elétrico para nós aqui, só que em escalas
bem, mas bem menores...Daí então com as músicas com ritmos jamaicanos rolando os
"toaster" que eram como os mc's (mestre de cerimônias) ficavam falando frases e
discursos sobre as carências da população, os problemas econômicos, a violência
nas favelas, enfim sobre a dificuldade em geral da classe baixa dos guetos...
A ida desta nova forma de música para América até então, aconteceu no início de
1970, pois vários jamaicanos tiveram que deixar a ilha do Caribe migrando para a
América por problemas econômicos e políticos.
Um dos caras que foi para os USA e desembarcou em Nova Iorque, foi o dj Kool
Herc - trazendo em sua bagagem toda a sua experiência naquele ritmo dos guetos
da Jamaica...
Daí então com a divulgação do novo estilo de se fazer música até então,
desconhecido por lá, começou a surgir grupos de rap por todo gueto de NY...
Quanto ao primeiro registro fonográfico de rap, a divergências entre os
estudiosos, alguns dizem que foi o grupo "Sugar Hill Gang" que gravou o 1º
registro em vinil para o grande público, outros falam que foi o grupo "Fatback"
com a célebre "King Tim Ill" por volta de 1978.
No Brasil, o Hip-Hop chegou no início da década de 80 por intermédio das equipes
de baile, das revistas e dos discos vendidos na 24 de Maio (São Paulo). Os
pioneiros do movimento, que inicialmente dançavam o Break, foram Nelson Triunfo,
depois Thaíde & DJ Hum, MC/DJ Jack, Os Metralhas, Racionais MC's, Os Jabaquara
Breakers, Os Gêmeos e muitos outros. Eles dançavam na Rua 24 de Maio, mas foram
perseguidos por lojistas e policiais; depois foram para a São Bento e lá se
fixaram. Houve um período de divisão entre os breakers e os rappers, os
primeiros continuaram na São Bento, os outros foram para a Praça Roosevelt. O
Rap, a principio chamado de "tagarela", ascende e os breakers formam grupos de
Rap. Em 1988 foi lançado o primeiro registro fonográfico de Rap Nacional, a
coletânea "Hip-Hop Cultura de Rua" pela gravadora Eldorado. Desta coletânea
participaram Thaide & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13 e outros grupos iniciantes.
Scrcraaantshhhh!! Empurrada pela mão negra na contracorrente do disco, a agulha
arranha o vinil. Jovens pretos, garotos pobres, adolescentes enfezados saltam,
dão piruetas, rolam no chão. A música não é embalo para ouvidos pacatos. A dança
não é samba, malemolência, remelexo. São gestos rápidos, gingas elétricas,
agressivas. As letras não falam de amores mauricinhos nem dizem que o Haiti é
aqui. Os pretos e pobres berram junto com o MC, o mestre de cerimônias: "Sub -
raça é a puta que pariu!!!!" O dj põe a mão no disco e tira outro efeito.
Seguem-se gritos rápidos, em rimas esquálidas - pau puro contra o racismo, o
desemprego, a polícia, os políticos,as injustiças...O cotidiano nas periferias
das grandes metrópoles brasileiras pode ser hostil e feio. Mas não é estéril. De
suas vielas esburacadas, está ganhando força uma cultura visceral na sua
rebeldia. A cultura funk, rap, espalha-se. Não adianta procurá-la na Rede Globo,
nas invencionices modorrentas das drag queens do segundo caderno.
A cultura da periferia e dos morros está lá: na feiura do subúrbio e das
favelas, onde se espalha em músicas, bandas, bailes, códigos de comportamento,
gírias e sinais. Tem até um nome, de sonoridade elétrica. Hip-Hop.
Invisível a maior parte do tempo, esse mundo só chama a atenção no momento em
que deixa de ser dança e música e se torna violência. Aí como caso de polícia,
vira manchete.
Sua rebeldia com causa parece que se canaliza. Destila veneno sob fórmulas
definidas: os versos longos e insubordinados do rap, a dança robótica do break,
o grafite nos muros e a união em galeras para se defender - ou atacar - em grupo
e freqüentar bailes funk.
CLUBBERS / RAVERS
De um
ponto de vista histórico, o techno é um estilo baseado no house e no eletro. O
termo house (casa) se refere a um clube que foi fundado num galpão no porto de
Chicago na metade da década de 80: o Warehouse. Soul, black e disco eram casados
com batidas eletrônicas, as quais o dj havia previamente produzido. Assim o dj
criava uma nova música a partir da combinação de outras duas músicas. A partir
daí veio o fenômeno da mixagem, onde o dj poderia teoricamente tocar uma música
eterna. Alguns dos melhores djs da época eram Frankie Knucles e Ron Hardy, que
começaram como produtores, tocando suas músicas nos clubes e depois lançado em
selos como Trax e Dj International. Músicos como Ralphie Rosario, Mickey Oliver,
Marshall Jefferson e Mr. Fringers desenvolveram uma House avant garde, lá pelo
final dos anos 80.
Enquanto Chicago era dominada pelo soul e pelo disco, um estilo orientado pelo
minimal estava começando a surgir em Detroit, através de figuras locais como
Juan Atkins, Kevin Saunderson e Derrick May. Este estilo tinha uma influência
pesada de música feita por computador européia como as do Kraftwerk e do Klaus
Schulze (produtor do Tangerine Dream, entre outras coisas, e também de bandas
new-wave e indie da Inglaterra, como Depeche Mode, New Order e Nitzer Ebb).
Detroit deu origem ao techno.
Uma coincidência em Chicago levou a um estilo paralelo chamado acid. Esse estilo
na verdade significa um som típico que é criado usando certos tipos de sons de
sintetizadores além dos de fábrica. Nathan Jones (aliás dj Pierre) descobriu
esta propriedade na Roland TB 303, que resultou numa música tocada na Warehouse.
Ele declarou: "Eu comprei o 303 para programar linhas de baixo. Enquanto eu
tentava descobrir o que cada botão fazia, notei a estranha modulação do som que
já estava programada no 303. O acid já estava naquela máquina há muito tempo."
Os freqüentadores descreveram essa música louca como "ácida", que depois foi
usada no lançamento de um vinil. O termo "ácido" tem mais a ver com o som ácido
da música do que com a droga ácido (LSD).
Assim como os discos de house e techno americanos, os discos de acid também
chegaram na Europa, e especialmente na Inglaterra tiveram uma ótima recepção,
mesmo que não tivessem impacto para alcançar o mainstream. Na Inglaterra, um
próprio tipo de cultura acid mais underground nasceu, através de djs e músicos
como Baby Ford e A Guy Called Gerald e do hino We Call It
Aciiieeed, do D-Mob. Pela primeira vez festas ilegais feitas ao ar livre
aconteciam, encorajadas pela nova droga disponível, o ecstasy. Estas raves
conseguiam cada vez mais popularidade com o tempo.
Assim como a maioria dos estilos musicais que surgem do underground, o acid
morreu devido a um embaraçoso hype. Raves com bandas orientadas por guitarra (Happy
Mondays, Stone Roses, Primal Scream) ainda aconteciam, apesar da proibição
governamental, até que a polícia se tornou uma presença constante e sufocou os
eventos. O fogo se alastrou e alternativas em outros locais da Europa e de
outros continentes foram achadas. Dentro da área liberal dos estados de Benelux
havia poucas restrições, e aqui algumas pessoas ouviram sobre algumas festas que
aconteciam em algum lugar da Índia. As pessoas que já haviam ido a Goa trouxeram
músicas com elas, e os europeus foram encorajados a irem para lá. O dj Ray
Castle organizou as primeiras festas por lá dominadas por trance em 1987. O dj
Antaro organizou sua primeira festa goa com alguns poucos iniciados no jardim da
sua casa em Lüneburger Heide (Alemanha) em 1989.
Com o aumento da popularidade do techno na Europa, no final dos ano 80, a
cruzada da música eletrônica estava apenas começado. Na Alemanha, especialmente
em centros como Berlim (Dr. Motte, Westbam) e Frankfurt (Talla 2XLC, Sven Väth),
criou através do techno um novo tipo de cultura underground. A queda do muro de
Berlim e a competição persistente com Frankfurt foram extremamente vitalisantes
para ambas as cidades, o que levou ao surgimento de clubes como Dorian Gray/Omen
e E-Werk em Berlim. O contato constante com o Detroit Techno fertilizava a cena
constantemente. Juan Atkins, Blake Baxter e Eddie Flashin' Fowlkes tocavam no
Tresor e lançavam músicas através do selo do clube. Sob a supervisão de Ralf
Hildenbeutel e Sven Väth em Frankfurt, surgiram os selos Harthouse e Eye Q
Records, que lançaram, entre outras, faixas do Earth Nation, Kox Box e Der
Drittle Raum, abrindo o caminho para o futuro nascimento da cena Goa. Enquanto
isso o selo MFS (Masterminded For Success) surgiu em Berlim com projetos por
Cosmic Baby, Voov, Paul Van Dyj e Mijk van Dijk. O selo Superstition in Hamburg
se tornou uma base de lançamentos para o techno e o trance, lançando músicas do
Oliver Lieb (The Ambush, Paragliders, LSG, Spicelab). Algumas bandas de música
eletrônica com forte influência no techno começavam a surgir, chegando a atingir
os primeiros lugares nas paradas de sucesso de vários países: Prodigy, The
Chemical Brothers, Daft Punk, Underworld, etc. A cena techno se estabeleceu na
Inglattera com djs como Carl Cox, com a sua festa Ultimate B.A.S.E. (Londres), e
grandes festivais de música eletrônica como Tribal Gathering começaram a surgir.
Hoje em dia o maior evento techno do mundo é o Love Parade, que reúne todos os
anos milhões de pessoas pelas ruas de Berlim (Alemanha).
Enquanto grande parte dos produtores de techno se submetia ao hype do mainstream
e trocavam inovação por posições rápidas nas paradas de sucesso, a cena
psychedelic trance achava cada vez mais apreciação dos seguidores da saturada
cena techno.
Sem confusão:
House
Nascida em Chicago (EUA), em 1986, esse estilo saiu da fusão, por parte do dj
Frankie Knuckles, de elementos da soul music com a disco e batidas das baterias
eletrônicas. Daí, surgem sub-gêneros como o Garage (com bastante vocal gospel),
e o Deep House (o sub-gênero mais elegante do House, com linhas melódicas,
melancólicas e minimalistas acima das batidas), o Jazzy House (batidas com um
instrumento solo - quase sempre um sax virtuoso), dentre outros (Acid House,
Disco House, Tribal Hous, French Housee). 110 a 128 bpms.
Jungle/DrumNbass
Saído dos guetos negros de Londres, em 1992, esse estilo associa os baixos do
reggae, com as batidas do hip hop, e às vezes funk, com o jazz. O DrumNbass,
menos pesado, mistura as linhas de baixos a uma temática mais jazzy, menos
quebrada, com vocais minimalistas. Em torno de 160 bpms.
Techouse
Sobreposição da batida techno sobre a house. Vertente nascida recentemente
(1997). Do house, conserva, às vezes, curtas linhas melódias e a batida com
hithat e claps (pratos e aplausos); do techno conserva as batidas 4 por 4. Por
volta de 130 bpms.
Techno
Originado em Detroit (EUA), no início dos anos 80. Derrick May, Kevin Saunderson
e Juan Atkins fazem uma fusão entre o som de Kraftwerk e batidas funks de George
Clinton. O resultado é uma batidas seca, repetitiva, 4 por 4, sem vocais. O
Kraftwerk é considerado um grupo Prototechno, por ser referência à produção da
Techno Music. 130 a 140 bpms.
Trance
Criado na Alemanha, já é uma derivação do tecno. Texturas se sobrepõem às
batidas e o baixo tem timbre bastante sintetizado e menos seco. Som viajante. O
Hard trance acelera as batidas para 150 bpm e o psy trance (em torno de 138/140
bpms) aumenta as camadas de texturas e efeitos sonoros e mistura com trechos de
sons étnicos indianos. Pode usar as grooves, as levadas da house ou do techno.
Trip Hop
É o blues do tecno. Melodias triste, com batidas desaceleradas, geralmente
cantadas. A base é o hip hop, só que com efeitos lisérgicos e as vezes até de
distorção. A voz, masculina ou feminina, pode ser processada por filtros e
parecer mecanizada. Sua origem é Bristol (Reino Unido) em 1991. Em torno de 65 a
85 bpms.
Techno pop
Som baseado nos anos 80 e que
teve como expoente o Depeche Mode e o New Order. Música com letras (início,
meio, fim e refrão), numa referência à canção tradicional. É pop, com teclados
que produzem muita melodia, mas a batida é bastante dançante.
Texto e
Pesquisa: M. Santos
Produzido por: Flávio Richards
![]()
VEJA MUITO MAIS AQUI:
Bauhaus
Joy Division
Siouxsie And The Banshees
the Sisters of Mercy
(14) 8115-1215
mafea@mafea.com.br
www.mafea.com.br